terça-feira, 7 de abril de 2009

Condomínio de pequenas histórias



CONDOMÍNIO DE PEQUENAS HISTÓRIAS

1º ANDAR / Apartamento 03

– Sebastiana, abriu a geladeira e gritou em direção à sala de estar: “Não tem mais leite!” Dorval, que estava lendo jornal, levantou-se e foi ver com os próprios olhos, já que na quarta feira, dia de fazer compras, havia trazido leite suficiente para a semana inteira. Ele nunca se deu conta de que Sebastiana tinha cinco gatos e dois netinhos e um filho adotivo pequeno, lá no seu barraco. Coitada, ainda tinha que lavar roupa pra fora, como por exemplo as camisetas do fedelho do 6º andar, que não tinha modos quando comia macarronada com almôndegas.

2º ANDAR / Apartamento 06

– Dona Silvana, da congregação Filhas de Maria, deixou de lado o seu terço e foi atender o telefone; era sua sobrinha, Anita, que acabara de chegar ao aeroporto, avisando que em poucos minutos estaria com ela. Anita desligou o telefone, mas antes disse que ela e a sua amiga Alice caíram no pau com uma velha argentina, tudo por causa de um taxi.

3º ANDAR / Apartamento 11

– Juca sentou-se no vaso com a cara para a parede. Na mão esquerda ele segurava uma revista de homens pelados e começou a falar baixinho, quase sussurrando: Linda, gostosa, bocetuda, vou te foder todinha, enquanto se masturbava, mas quase caiu quando sua avó entrou no banheiro levantando a saia e arriando as calçolas; Juca prometeu a si mesmo nunca mais esquecer de trancar a porta do banheiro. Ele correu feito louco do apartamento, escada abaixo e esbarrou em Valdir, amiguinho de Bartolomeu, morador do 7º andar que estava descendo...

4º ANDAR / Apartamento 17

– Luís fechou a porta com raiva e saiu. Dalva continuou a gritar chamando-o de todo o tipo de palavrão, enquanto segurava a cueca dele em uma das mãos e na outra a colher de pau suja de feijão. Lourinha, a vizinha do lado, ficou na dúvida se a marca de batom barato saia com só um esfregadinha de mão, quando perguntada por Dalva.

5º ANDAR / Apartamento 21

– Pedrinho, vestindo a camisa da seleção da Argentina, fazia embaixadinha com uma bola no seu quarto, quando seu pai, Arnaldo, entrou. Surpreso por ver o filho com a 10 de Dieguito, gritou: “Porra, Pedrinho, já te falei pra não usar essa merda aqui em casa!” Sua mãe, Carmelita, gritou da cozinha querendo saber o que estava acontecendo e mandou Arnaldo se apressar para pegar sua mãe no aeroporto, vinda de Buenos Aires, pois a velha tinha se metido em confusão com duas garotas.

6º ANDAR / Apartamento 26

– Artur, Neuza, Lúcia e Carlinhos estavam à mesa almoçando. Carlinhos pediu para repetir a macarronada com almôndegas, mas sua mãe, em vez de servir-lhe mais, ralhava por ele ter a roupa toda suja de molho de tomate. Enquanto isso, na TV, William Bonner dava a notícia de que um bando de cachorros havia comido duas crianças gêmeas, que dormiam num quarto, atrás do canil e que a polícia estava tentando identificar quem foi que deixou a porta do estabelecimento aberta, provocando aquela tragédia.

7º ANDAR /Apartamento 28

– Bartolomeu pegou o tubo de vaselina e entregou para Valdir; já sem roupa, Valdir começou a lambuzar o traseiro de Bartolomeu, que procurava se equilibrar de quatro em cima do sofá que sua mãe lhe mandara de Taubaté, no seu aniversário. Valdir iria embora bem cedinho para Campinas e não voltaria nunca mais a ver o seu ex-namorado. Só que ele não foi embora, esbarrou com Juca do 3º andar, correndo de sua avó e foi amor à primeira vista. A partir dali, Valdir não deixou Juca em paz, pra tristeza de Bartolomeu.

8º ANDAR / Apartamento 32

– Duas baratas rondavam a fruteira de porcelana, passeando descontraídas sobre duas laranjas, cinco bananas, um abacaxi e dois caquis maduros. A campainha do telefone, finalmente, parou de tocar e quem quer que estivesse tentando falar, não imaginava que Nelson, Vilma e Dudu, estariam naquele momento na praia comendo sanduíches, sem notarem que os filhotes do casal que rondava a fruteira, passeavam por entre o pão e a mortadela.

9º ANDAR / Apartamento 38

– Belinha e Amadeu transavam no quarto, enquanto do outro lado da rua, no edifício em frente, Chico os espiava com um par de binóculos. Dois clarões, acompanhados de dois barulhos secos, quase inaudíveis, devido à distância entre os dois prédios, pegaram Chico de surpresa. Não demorou muito, a polícia estacionou dois carros em frente ao edifício onde Belinha transava com o amante, quando Humberto chegou de surpresa, depois que Lourinha, a vizinha do 4º andar, lhe fofocou que Belinha, sua mulher andava lhe traindo.

10º ANDAR / Apartamento 47

– Altamiro acabava de colocar a última toalha molhada embaixo da porta da cozinha, como fizera na sala e do terraço. Deitou-se e fechou os olhos, minutos depois lembrou que tinha esquecido o papel onde escrevera algumas linhas, mas era tarde, o gás já havia tomado todo o lugar. O bilhete mencionava o trabalho que Altamiro fazia com os animais e lamentava ter deixado a porta do canil aberta. Seus pais, no dia seguinte, chegaram do interior para vender o apartamento todo queimado e pro enterro do filho que foi velado com Dona Silvana, que morreu de ataque cardíaco, quando pegou a sobrinha transando com Alice, sua namorada argentina.

11º ANDAR / Apartamento 58

– Um carteado corria solto até que o porteiro, Zezin bateu à porta avisando que a policia havia chegado ao prédio! Correria total. Um amigo de Luís do 4º andar, chamado Cabeção, não morador do edifício, mas jogador freqüente, escorregou com um cigarro aceso na mão, quando estava descendo as escadas. O cigarro rolou para dentro do apê de Altamiro do 10º andar! Cabeção ficou no Hospital de Queimados por muitas semanas e nunca mais foi jogar cartas com os amigos!

3 comentários:

rafaelo disse...

tens q ir la hoje tomar UN MOJITO

enzo quaker disse...

VOANDO COM BALÕES DE HÉLIO

(achei no google! kkk)

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Pois é, Enzo, a balonagem que me desculpe, mas só darei o AR de minha graça só se eles abrirem fogo contra mim! xiiii, acho que devo estar alto falando isso...rssss