segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mais uma ode para Italo Bianchi


Quero falar não de sua morte, acontecida no dia 5 de outubro próximo passado, mas de quem foi esse italiano, milanês, que decidiu viver em minha cidade de nascimento, Recife.

Contar quem foi Ítalo é um tanto complicado, pois Italo era muitas coisas. De tudo um pouco, ele conseguiu ser. Desde o mais culto dos sujeitos, ao mais simplório, principalmente, nas conversas banais sobre o cotidiano.

Italo, quando chegou a Recife, não chegou de mãos vazias. Ele trouxe com ele sua delicadeza, sua retidão profissional e, somada a isso, uma pesada bagagem cultural e profissional, que iria mudar a cara da propaganda no Estado de Pernambuco. Pode-se dizer, sem errar, que existe um antes e um depois de Italo Bianchi, na propaganda pernambucana.

Embora o conhecesse de vista, pois seu atelier ficava próximo à casa de meus tios, só tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente anos depois, ao chegar a Recife, de volta de minhas andanças por São Paulo e Rio de Janeiro. Foi através de seu filho, Guido, que fui apresentado pessoalmente ao Italo. Que elegância! Que charme! Que simplicidade! Fiquei deveras impressionado com o carisma do milanês. Eu levava, como forma de me apresentar, um documentário sobre os meus trabalhos de artes plásticas,. Não demorou, fui convidado a fazer parte da grande família Ítalo Bianchi Publicitários Associados, para ser assistente de RTVC.

Durante o tempo em que trabalhei nessa agência, pude constatar o que Italo representava, tanto para os seus subordinados, como também para os seus sócios. A sua polidez, no trato com os clientes, somada a seu senso estético, sua marca registrada, fizeram da agência um farol para todos os pretendentes à profissão de publicitário, pelo Nordeste afora. Quem não queria trabalhar ao lado desse grande ícone? Todos, sem exceção! Italo foi sempre cercado por grandes criativos. Os admitia por que sabia seus potenciais. Tinha que zelar pela qualidade de sua agência. Ali, não tinha espaço para mediocridade, para egos talvez. Italo era um verdadeiro Diretor de Criação. Orientava, e suas intervenções, na maioria das vezes, substanciavam os conceitos divisados pelos criadores.

Que eu me lembre, Italo não era afeito a badalações, tão comuns aos “new riches” da publicidade. Claro que ele sempre estava presente às premiações, até porque sua agência era sempre contemplada nesses eventos. Era provável que freqüentasse alguns almoços, ou jantares, pois, afinal de contas, ele era um homem sociável e de negócios.

Bajuladores, Italo teve aos montes, ao longo de sua vida profissional. Se ele gostava disso, não saberia dizer, mas eu mesmo fui testemunha, ao vê-lo assediado por tantos desse tipo.

Alguns anos depois, eu resolvi filmar sua exposição de quadros, que acontecia na Galeria Ranulpho. Naquela época, eu já havia me desligado da agência.

Depois do “Vernissage”, já de posse de um bom material gravado - o da noite da abertura da exposição - , resolvi consultá-lo para saber se poderia complementar o filme com um depoimento dele em sua casa. Naquela ocasião, Italo morava na Praia de Conceição, município de Paulista, litoral Norte de Pernambuco. Ele aceitou e fomos fazer as filmagens na semana seguinte. Encurtando a história, isso tudo resultou num documentário de 10 minutos, “Italo Bianchi – Signos”. Muito pouco pro tamanho do profisional que era Italo Bianchi, mas creio que esse foi o único vídeo realizado sobre ele, até o presente momento, fato que me deixa muito orgulhoso, já que sempre fui e sou seu fã. Um fã, diga-se de passagem, muito discreto, pois só agora se revela. Ah, esse vídeo só foi possível graças ao produtor Genivaldo Di Pace, aliás, um grande sujeito também (Di Pace é o primeiro da esquerda pra direita na foto que ilustra este comentário), que colocou à minha disposição equipe e maquinário, para tão difícil empreitada.

Voltando à propaganda, naquela época, enquanto, em parte, o mercado se promiscuía, lá estava sua agência, primando pela qualidade e seriedade do fazer propaganda. Aderiam à carteira de clientes da sua agencia, não mais apenas empresas locais, mas, sobretudo, empresas de grande porte de vários Estados do Nordeste. Assim, a agência se projetou no cenário publicitário do Brasil e os prêmios, nacionais e internacionais, vieram como conseqüência desse trabalho, feito com seriedade e muita aplicação.

Italo foi e será sempre lembrado como um modelo. Lá se foi o homem, mas seu legado ficou, perpetuado no trabalho de tantos publicitários que nele se inspiraram.

Arrivederte, Italo!

9 comentários:

Anônimo disse...

Caro Hélio,

Foram muito precisos os seus comentários sobre o Ítalo. Além de respeitosos e sinceros. Confesso que a emoção chegou ao pomo de adão por conta das lembranças e dos momentos que pudemos viver juntos ao Ítalo. Como você sabe o Ítalo foi muito mais do que um publicitário. Desde que chegou ao Brasil, ao final do ano de 1949, desiludido com o seu país por conta da tragédia fascista, ele tratou de ser sobretudo um brasileiro: naturalizou-se, estudou a nossa língua profundamente e tranferiu o conhecimento adquirido para todos que estavam à sua volta. Ítalo foi um homem do nosso tempo. Avançado e progressista. Clássico e moderno. Sua inteligência e sua cultura ficaram assim como a sua elegância e respeito ao próximo.
Foi-se o homem. Ficou o exemplo.
Forte abraço, Guido Bianchi.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Você tem razão, Guido, ele era mais que um profissional de propaganda. Aliás, cada vez mais o mundo fica carente quando homens como Italo vão embora, meu amigo!

abração

Euzinha disse...

O nome Italo Bianchi ficará eternamente gravado na cena publicitária de Pernambuco e do Brasil. Seu trabalho demonstrava criatividade e refinamento.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Vou me permitir a transcrever a mensagem que recebi de meu amigo Jeovah, com quem partilhei momentos incríveis quando tarbalhamos juntos na agência do Italo. Com ou sem sua permissão, Jeovah, aqui vai seu texto para mostrar que Italo era mesmo uma unanimidade:

"Meu caríssimo amigo e companheiro de desventuras eleitorais. Foi com muita emoção que lí o teu texto sobre o nosso MAHATMA BIANCHI.Vocêretratou com imensa fidelidade,o que foi conviver e receber dele tantosensinamentos.Acho que:poucos como eu tivéram essa felicidade,pois,como vocêdeve saber muito bem fui um dos primeiros a receber a benção de telo comoamigo e mestre,o que fez com que ele me tomasse como padrinho de seu filhoGuido,eu com meus apenas dezessete anos.Foram mais de 40 anos de intensa amizadee carinho,nas domingueiras da formula Um,e aquele Martini Fantástico que meensinou a fazer.Tenho a felicidade de lembrar,dos momentos em que trabalhamosjuntos na agência,e a infelicidade de ter assistido a seu sepultamento.Foi o ATEU mais humano que poderia ter conhecido na vida,e cara,como doi terque ir em frente tendo como companhia,a ausencia do meu amigo.Parabens a vocêpelo pungente texto que editou,e você há de concordar comigo,que o mundo ficoumenor,e mais medíocre sem ele. Um grande abração do teu amigo.. Jehovah Lucena ( da Hora era minha mãe )

mauro camargo disse...

olá Hélio

viu só, tem livro novo na praça... ou melhor, na praça mesmo vai ter depois do dia 25, por enquanto está sendo distribuido nos clubes do livro. Eu fiquei quase 2 meses sem conseguir postar nada por problemas com o blogger, somente hj consegui postar novamente.
abraço
mauro

zamy disse...

...linkei teu blógue
agora, só me falta aprender a tocar os tais instrumentos rústicos

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Zami! É simples: com apenas um dedinho pode-se fazer uma rapsódia danada, menina! rsss

zamy disse...

Sr Hélio, não me deixe criativa.
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hahhahahah

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Oh! Magina tu com dez desses dedinhos o que não é capaz de fazer...Oh! rsss