quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Lá se foi João Scalabrini


É difícil falar da morte de alguém que você conhece. Mesmo assim, me sinto no dever de fazê-lo. Trata-se da morte de João Scalabrini, um paulistano que conheci quando cheguei a Chapecó, SC, há mais ou menos três anos.

Meio que aposentado ( ainda era jovem pra isso), dedicou-se a cuidar de uma charutaria e revistaria em uma das lojas de um grande supermercado local. Quando nos conhecemos, ele estava um tanto insatisfeito com a vida. Era por natureza um homem de vendas, dizia. Trabalhou nesse mister  por muito tempo em São Paulo, sua cidade natal. Conversávamos sobre os bons tempos lá na capital paulistana. Ele passou sua infância e adolescência ali próximo do aeroporto de Congonhas, numa época em que eu também fui morar por aquelas bandas, no idos de 1974. Era sempre agradável a conversa com João. Centrado, ponderado quanto às coisas da política, nunca exacerbava a sua condição de paulistano em uma cidade provinciana como Chapecó. Numa das últimas vezes em que nos encontramos, combinamos tomar um chope juntos, depois do expediente. Fui para Itajaí e quando retornei, fui visitá-lo. Ele me deu a notícia de que havia entregado o currículo em algumas empresas. Quiçá, pudesse sair da monotonia do dia a dia de seu pequeno negócio. Queria voltar a vender. Viajar. Eu achei muito legal e lhe desejei boa sorte.

O tempo passou eu fui pra Itajaí e lá fiquei por um bom tempo. Voltando a Chapecó mais uma vez, o encontrei num sábado e ele me deu a noticia de que estava numa empresa. A sua cara era de muita satisfação, mesmo fazendo algumas ressalvas, mas, como dizia, tudo era lucro àquela altura do campeonato. Aliás, por falar em campeonato, João era Palmeirense, assim como outro bom paulistano o Pedro Evangelista, outro amigo de boa cepa, que viveu em Itajaí e que vejo de quando em vez. 

Saí de Chapecó sabendo de seu novo projeto de vida e com a esperança de que, quando voltasse, o encontraria para aquele chope combinado. Porém, quando fui hoje (28/08/2012) a sua lojinha, recebi a notícia de seu falecimento. Aliás, prematuro, pois João estava ainda na faixa dos 50 anos. Sua esposa, com sobriedade, me relatou como foi a sua ida de uma hora pra outra. Fazia quinze dias que ele tinha ido. Ela encheu os olhos de lágrimas quando me falou: “ João deve estar chateado por não ter ido para aquele chope com você.” Meus olhos encheram-se e tive que me despedir. Saí e fui derramar meu pesar fora das vistas dela.

Espero que João tenha tido algum momento de prazer e felicidade ao retornar pra a atividade em que se realizava, vendas.

Um grande abraço, João.

PS: Eu acho que os entes queridos de nossos amigos que acabaram de morrer deveriam lhe dar a notícia assim:  “O fulano? Ah, ele viajou. E  não deixou endereço pra onde ia? Não.”

Só assim continuamos a ter esperanças de vê-los em algum lugar, um dia.

2 comentários:

felipedamo disse...

Que pena

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Pois é, Felipe, uma pena mesmo. O João tinha projetos e o principal deles era ter saúde para tocá-los.