quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Deodoro: mais uma vítima do descaso


Acabei de ler uma matéria informando que o Teatro Deodoro, de Maceió, AL, corre o risco de ainda estar fechado quando comemorar seus 100 anos.
O velho teatro fechou para reformas em Janeiro de 2008 e, segundo a reportagem, a Diretoria dos Teatros de Alagoas informou que as obras estariam terminadas ainda no primeiro semestre de 2010. Contudo, os artistas alagoanos acham que se trata apenas de mais uma promessa vazia, por parte do poder público.
Os artistas alagoanos parecem ressabiados, pois a última reforma deixou o teatro fechado por 10 anos (1988-1998). Só à guisa de informação: o Teatro Deodoro foi fundado em 15 de Novembro de 1910. A inauguração foi uma homenagem aos 21 anos da proclamação da república e, por conseguinte, o teatro levou o nome de quem a proclamou: Marechal Manuel Deodoro da Fonseca (1827-1892). O belo teatro, no estilo neoclássico com reflexos de barroco, foi projetado pelo arquiteto italiano Luiz Lucariny e se destaca pomposo em frente à Praça Deodoro.
Recordo que, em meados de 2002, estive naquele teatro quando do festival internacional de teatro, promovido e organizado pela Duetus Produções, empresa de promoções de meus queridos sobrinhos, Juca Costa e Deinha Galindo.
Diante deste fato, penso ser lamentável que nossos patrimônios históricos continuem vítimas do descaso por parte dos políticos de plantão neste país, leia-se, burocracia. Aliás, “burrocracia”, pois ela é um cancro burro - herdado dos portugueses – um dos maiores responsáveis pela corrupção nas repartições públicas do Brasil.
Aqui em Itajaí, por exemplo, temos um caso bem típico, da falta de atenção do poder público ao patrimônio histórico local: a Casa da Cultura Dide Brandão. Os itajaienses ainda não sabem quando serão iniciadas as reformas, nem muito menos quando elas terminarão nesse espaço cultural tão importante para a cidade... Para não falar de outros exemplos, que foram destruídos na calada da noite, em nome do progresso, na cidade peixeira.
Quanto ao Teatro Deodoro, quero externar, aqui, a minha solidariedade a todos os alagoanos, principalmente, aos artistas daquele estado, como também, e por que não, a todos os artistas brasileiros. Conclamo a todos que façam pressão nas assembléias junto aos políticos, para agilizarem a liberação de todas as obras que se encontram nas mesmas condições que o Teatro Deodoro. Aqui em Itajaí, para começá-las, na Casa de Cultura Dide Brandão e lá em Maceió, para terminá-las, no Teatro Deodoro.
Que o bom senso e o espírito de brasilidade tomem conta das mentes dos responsáveis pelas obras de reforma do velho teatro alagoano, orgulho de Alagoas e do Brasil.

2 comentários:

felipe disse...

uma pena mesmo.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Pois é, Felipe, este é mais um caso dentre tantos que existem no Brasil. Aqui em Itajaí, temos, como mencionei, a Casa de Cultura Dide Brandão, que espera por uma reforma já, pois pode cair a qualquer momento. Para isto basta desabar mais um grande temporal daqueles, cujo poder de destruição já conhecemos.

abçs