terça-feira, 12 de maio de 2009

Enquanto isso, Sylvia Plath


EU SOU VERTICAL

Sylvia Plath


Mas não que não quisesse ser horizontal.

Não sou árvore com minha raiz no solo

Sugando minerais e amor materno

Para a cada março refulgir em folha,

Nem sou a beleza de um canteiro

Colhendo meu quinhão de Ohs e me exibindo em cor,

Desconhecendo que me despetalo em breve.

Comparados a mim, uma árvore é imortal

E um pendão nada alto, embora mais assombroso,

O que eu quero é a longevidade de uma e a audácia do outro.

À luz infinitesimal das estrelas,

Flores e árvores trescalam seus frios perfumes.

Eu me movo entre elas, mas nenhuma me nota.

Chego a pensar que pareço o mais perfeitamente

Com elas quando estou dormindo —

Os pensamentos esmaecem.

É mais natural para mim deitar.

Céu e eu então animamos a prosa,

Hei de servir no dia em que deitar afinal:

E as árvores aí talvez em mim tocassem e as flores comigo se ocupassem.


2 comentários:

Laura Diz disse...

belo e triste
rapaz a moça da espada é bonita,né?
bjs
teu blog está mais bonito tb.
parabéns.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Ah, essa moça...