domingo, 1 de março de 2009

Uma reflexão à gaucha


UMA REFLEXÃO À GAÚCHA

Nos pampas, onde os campos se assemelham a um imenso mar verde e servem de guarida ao minuano de quando em vez, estava um gurizinho campeando as ovelhas. Cansado, decidiu marchar em direção às arvores, onde havia sombra. Lá chegando, arriou o espinhaço e logo a madorna tomou conta do gurizinho. Não demorou, alguém o chamou, cutucando seus pés amarfanhados pelos muitos caminhares através do pampa e aparados da serra:

- Ei, guri!

O gurizinho acordou assustado. Logo viu que quem o chamava, era um anãozinho negro, em pé à sua frente. O anãozinho sugeriu que o meninozinho subisse num carvalho muito antigo que havia a umas léguas pra dentro da mata. Lá, na velha árvore, ele iria encontrar uma coisa que iria mudar toda sua vida.

Muito curioso, o gurizinho obedeceu ao anãozinho e foi em busca da surpresa anunciada pelo negrinho que não passava de um metro e trinta centímetros de altura.

Chegando ao velho carvalho, o gurizinho apressou-se em subi-lo. Quando chegou a uns dois metros de altura do chão, numa bifurcação de dois grandes e compridos galhos, viu um ninhozinho com todos os passarinhos mortos, estraçalhados por algum rapineiro voador. Assustado, o gurizinho perdeu o equilíbrio e caiu de cima do carvalho!

Ainda desacordado, deitado no chão, não ouviu o anãozinho a chamá-lo:

- Ei, Zinho, acorda, seu fracote! É Zinho, o anão negro, teu tocaio!

O guri Zinho acordou, no entanto, não conseguiu se levantar; tinha deslocado uma vértebra da coluna cervical! Não conseguia mexer nada da barriga pra baixo. Estava paralítico para sempre.

Um mascate, ao passar pelo local com sua carroça, depois de ter saciado a sede dos animais num arroio que corria perto dali, o socorreu.

- Bah, mas que infortúnio desse guri! – disse o viageiro, segurando a cuia de mate numa mão e as rédeas que prediam os dois cavalos na outra.

Assim, o mascate o levou dali para uma cidadezinha próxima.

Depois daquele dia de curiosidade, o guri Zinho nunca mais pode campear as ovelhas através dos planos verdejantes dos pampas gaúchos.

Quanto às ovelhas que o Zinho deixara pra trás, todas foram roubadas; suas lãs tosquiadas e suas carnes vendidas nas feiras. Quanto ao Zinho, o anão negro, dizem, só aparece para aqueles que são muito curiosos e que vão na conversa de qualquer um que encontram pela frente.

3 comentários:

Anônimo disse...

vou aproveitar o tópico para lembrar àqueles que ainda não sabem que eu nasci no Paraná, já que por conta do sotaque a piadinha de gaúcho sempre é seguida de olhares maliciosos na direção deste corpinho aqui...hehe

filipei damov

Hélio Jorge Cordeiro disse...

hehe! Sei, sei, paranaense dos pés vermelhos...rsss

Márcia(clarinha) disse...

AFF! Minha curiosidade não chega a tanto, pois se eu esbarrar com um anão negrinho vou correr tanto que ninguém me pegará...

lindo dia
beijos