terça-feira, 26 de abril de 2011

Brasil, mostra a tua cara!























Gente, aproveitando ainda os resquícios de minha última indignação, eu resolvi postar aqui, um artigo do professor Fábio Comparato, que saiu no blog do Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada, semanas atrás, que nos oferece subsídios, bastantes claros, para reflexionarmos sobre o país em que vivemos.


UM PAÍS DE DUAS CARAS

por Fábio Konder Comparato

Na cerimônia de conclusão do curso do Instituto Rio Branco, de preparação à carreira diplomática, a presidente Dilma Roussef declarou que o tema dos direitos humanos será promovido e defendido “em todas as instâncias internacionais sem concessões, sem discriminações e sem seletividade”.

A declaração foi acolhida com aplausos de todos os lados, muito embora ela nada mais represente do que o cumprimento de um expresso dever constitucional. A Constituição Federal, em seu art. 4º, inciso II, determina que o Estado brasileiro deve reger-se, nas suas relações internacionais, pelo princípio da “prevalência dos direitos humanos”.

Acontece que nessa matéria o Estado brasileiro – e não apenas este ou aquele governo – segue invariavelmente a regra dos dois pesos e duas medidas. A presidente da República corre o sério risco de passar à História como seguidora da máxima: Façam o que eu digo, mas não o que faço!

Em 24 de novembro de 2010, o Brasil foi condenado por unanimidade pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, em razão de crimes de Estado cometidos durante a chamada “Guerrilha do Araguaia”. Até agora, passados cinco meses dessa decisão internacional, nenhum dos nossos (mal chamados) Poderes Públicos fez um gesto sequer para iniciar a execução dessa sentença condenatória. Ressalte-se que, além de declarar que a decisão do Supremo Tribunal Federal de admitir a anistia dos torturadores e assassinos do regime militar “carece de efeitos jurídicos”, a Corte Interamericana de Direitos Humanos exigiu, entre outras medidas, que se implementasse um curso “obrigatório e permanente de direitos humanos, dirigido a todos os níveis hierárquicos das Forças Armadas”. Escusa dizer que tal curso não pode ser coordenado nem pelo Sr. Nelson Jobim nem pelo deputado Jair Bolsonaro.

Pior ainda. Inconformado com a decisão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que mandou suspender as obras de construção da Usina de Belo Monte, em razão do desrespeito aos direitos fundamentais dos indígenas que de lá foram expulsos, o governo da presidente Dilma Roussef, amuado, resolveu retirar a candidatura do ex-ministro Paulo de Tarso Vannuchi para ocupar justamente o posto de membro daquela Comissão, em substituição a Paulo Sérgio Pinheiro. Ou seja, “já que é assim, não brinco mais”.

Para dizer a verdade, essa duplicidade do Estado brasileiro em matéria de direitos humanos – o que se faz aqui dentro nada tem a ver com o que se prega lá fora – não é de hoje.

Durante todo o período imperial, a escravidão de africanos e seus descendentes tinha duas faces: uma civilizada e benigna perante os europeus civilizados, outra brutal e irresponsável cá dentro.

Em 1831 o governo do Regente Diogo Feijó promulgou uma lei que submetia a processo-crime por pirataria e contrabando, não só os traficantes de escravos africanos, mas também os seus importadores no território nacional. A mesma lei determinou que os africanos aqui desembarcados seriam de pleno direito considerados livres. No entanto, até 1850, como denunciou o grande advogado negro Luiz Gama, “os carregamentos eram desembarcados publicamente, em pontos escolhidos das costas do Brasil, diante das fortalezas, à vista da polícia, sem recato nem mistério; eram os africanos, sem embaraço algum, levados pelas estradas, vendidos nas povoações, nas fazendas, e batizados como escravos pelos reverendos, pelos escrupulosos párocos”.

Na verdade, a Lei Eusébio de Queiroz de 1850, que extinguiu efetivamente o tráfico negreiro, só foi aplicada porque a armada inglesa, autorizada pelo Bill Aberdeen de 1845, passou a apresar os barcos negreiros, até mesmo dentro dos nossos portos.

Pois bem, uma vez extinto o comércio infame de seres humanos, o governo imperial passou a sofrer a pressão internacional para abolir a escravidão. Na conferência de Paris de 1867, convocada para tratar do assunto, as nossas autoridades não hesitaram em declarar que “os escravos são tratados com humanidade e são em geral bem alojados e alimentados… O seu trabalho é hoje moderado… ao entardecer e às noites eles repousam, praticam a religião ou vários divertimentos”. Só faltou dizer que os brancos pobres se acotovelavam na entrada das fazendas, para serem admitidos como escravos…

Como combater essa duplicidade de conduta tradicional entre nós, em matéria de direitos humanos?

Só há uma maneira: denunciar abertamente os verdadeiros autores desses crimes, perante o único juiz legítimo, que é o povo brasileiro.

É indispensável, antes de mais nada, mostrar que essa reprovável duplicidade de caráter é um defeito específico das falsas elites que compõem a nossa oligarquia.

É preciso, porém, fazer essa denúncia diretamente perante o povo, pois em uma democracia autêntica é ele, não os governantes eleitos, quem deve exercer a soberania.

Acontece que, numa sociedade de massas, uma denúncia dessas há de ser feita, necessariamente, através dos meios de comunicação de massas. Ora, há muito tempo estes se acham submetidos à dominação de um oligopólio empresarial, cujos membros integram o núcleo oligárquico, que controla o Estado brasileiro.

Chegamos, assim, à raiz de todas as formas de duplicidade que embaralham a vida pública neste país: tudo é feito em nome do povo, mas este é impedido de tomar qualquer decisão por si mesmo. O soberano constitucional acha-se em estado de permanente tutela.

A ilustração deste poste é do filme Dr. Jekyll And Mr. Hyde (1999/ Live Action)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Heróis e eróis ou puro despeito.


































Pessoal, assistindo a TV, vi que a Rede Bandeirantes de televisão irá colocar no ar uma série de reportagens intitulada Terra Bruta, onde mostrará que o Nordeste é uma terra de gente violenta. Pura hipocrisia! Todos nós sabemos que existe violência em todo o território brasileiro. Norte, Sul e Sudeste! Essa gente da Rede Band (seus editorialistas) quer demonizar de vez todos os nordestinos, assim como fazem os americanos com os mulçumanos (essa gente da Band não é mesmo nada original!). Quando querem ganhar audiência e grandes verbas de patrocínio, como acontece no carnaval, não pestanejam duas vezes antes de se aproveitar do Nordeste. Mas no resto do ano, se encarregam de tascar o pau na região e na gente de lá. Babacas! Muito bem, então, querem subtrair a nossa importância na nacionalidade brasileira nos colocando a pecha de impuros, inferiores, ou seja lá como quiserem nos designar. Eu estou indignado e acho que é mesmo uma vergonha essas atitudes racistas e/ou separatistas, contra os nordestinos, que, ultimamente, vemos reacender por aí afora, principalmente em São Paulo. Mas tudo tem um sentido e um propósito. Isso não é de agora, vem de muito antes, desde os tempos das invasões holandesas. Vem do tempo em que os heróis eram homens que queriam liberdade e justiça por tudo que já haviam passado e pelo que eles representavam e já haviam feito na nova terra (diferentemente de outros chamados de heróis, que só sabiam exterminar índios e tomar terras, além de subtrair as riquezas naturais existentes!) Esses heróis do nordeste (Matias de Albuquerque, Felipe Camarão, André Vidal de Negreiros, João Fernandes Vieira, Henrique Dias, Bernardo Viera de Melo, entre outros) demonstraram à coroa portuguesa que naquela terra havia gente de fibra, valorosos guerreiros, dispostos a tudo para defender “suas” terras (sim, a terra pertencia a eles, também. Afinal, eram indivíduos miscigenados – portugueses e índios). Eles mostraram que eram capazes de se defender sozinhos, pois não receberam ajuda daqueles que representavam a coroa em terras baianas, então a capital do novo mundo português, capital do Brasil. Só isso foi o suficiente para marcarmos pontos negativos nas hostes da coroa em Portugal. Era óbvio que haveriam de lidar com essa gente audaciosa, se continuassem com a capital do Brasil na Bahia. Assim, começaram a trabalhar a possibilidade afastar a capital de perto daqueles “rebeldes de espírito libertário”, que poderiam, a qualquer momento, promover uma revolta de independência. Então se mandaram para o Rio de Janeiro. Mas esse desejo de liberdade não tardaria, como ficou provado na história, com a revolta encabeçada por Frei Caneca, dentre outros, que tiveram maior ou igual importância que os seus compatriotas de Minas Gerais, na busca por um Brasil independente de Portugal. Foi esse medo das auto-intituladas elites que ultrapassou os tempos e chegou aos nossos dias. Medo do espírito guerreiro e da persistente resistência dos nordestinos, que desafia a arrogância e o autoritarismo daqueles que se acham superiores.  Ameaçados, amedrontados, tentam denegrir nossa imagem, nos tachando de incompetentes, indolentes, violentos e outras “entos”, sem a menor cerimônia. Tudo bem, se quiserem nos apartar do Brasil, que o façam, mas o façam. Mas não levarão a base da brasilidade, pois esta ficará pra sempre com a gente. Ela nos pertence. Nós escrevemos a história desse país, meus caros. E, se quiserem nos deixar à margem, então que fiquem com o resto, mas a história do Brasil se escreve com N de Nordeste!

sábado, 9 de abril de 2011

Está com nada e está prosa!






















People, olha só o review que eu recebi sobre um de meus projetos futuro. Me senti o "Ó" do borogodó. Não pelo fato de advir de um estrangeiro, mas pelo conteúdo de sua análise sobre o meu texto. O que me mostrou que não importa de onde você está falando, mas que o que você está falando, seja universal.

"Dear Helio

I'd first like to compliment you for being such a powerful and visionary writer. I know English isn't your first language, but you really have a strong grasp of it and the script read beautifully.(...)

(...) So overall I liked this story and I liked the message you're saying. How is the book coming of this? What plans do you have for it? I'm sorry I didn't read this sooner.
Greg
------------------------------------
Greg Baldwin
Marketing Major
San Diego State University"


-----------------------------------
Gente, só agora é que me toquei que o meio do texto de Greg, revelava alguns dados importantes da história, que eram para serem omitidos, senão, a leitura do livro perde a graça quando ele for lançado.

terça-feira, 29 de março de 2011

Bolsonaro X Brasileiros


















Gente, do céu e da terra, foi com muita indignação que li esta notícia saída no Jornal O Globo e postada no blog de Luís Nassif. É mesmo lamentável que um parlamentar da nossa câmara federal dê esse tipo de declaração nos dias de hoje, aliás, coisa comum na época do Brasil colônia e durante a vigência da ditadura militar, a qual este funcionário público, pago com o dinheiro do povo do Brasil, serviu. Cabe a nós todos, repudiarmos esse tipo de declaração e, principalmente, a presença de homens (!) desse porte dentro do Congresso Nacional.

Fala Bahia! Fala Brasil!

(PS. Bem que a ilustração deste post, poderia estar representando a saída do referido deputado da câmara federal, né mesmo?)

O inacreditável Jair Bolsonaro

Enviado por luisnassif, ter, 29/03/2011 - 12:01

De O Globo

Bolsonaro diz que seus filhos não 'correm risco' de namorar negras ou virar gays porque foram 'muito bem educados'

O Globo

RIO - O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) foi parar nos assuntos mais comentados do Twitter após uma polêmica entrevista ao programa CQC, da Band. Ao participar do quadro "Povo quer saber", em que respondeu a curiosidades do público, o deputado disse que seus filhos não correm o risco de namorar uma mulher negra ou virarem gays, porque "foram muito bem educados".

- Não vou discutir promiscuidade com quer que seja. Eu não corro esse risco. Os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu - disse Bolsonaro, em resposta a uma pergunta da cantora Preta Gil.

Sobre como encararia a homossexualidade de um filho, o deputado voltou a repetir que "não corre este risco":

- Isso nem passa pela minha cabeça. Eles tiveram uma boa educação. Eu sou um pai presente, então não corro este risco.

Numa entrevista em que disse que seus gurus na política são todos os presidentes da ditadura militar, Bolsonaro falou também sobre uma possível participação em uma parada gay:

- Não iria porque não participo de (eventos para) promover os maus costumes. Até porque acredito em Deus, tenho uma família, e a família tem que ser preservada a qualquer custo, senão a nação simplesmente ruirá.

Em seguida, o parlamentar respondeu por que é contra as cotas raciais, adotadas em várias universidades brasileiras.

- Todos nós somos iguais perante a lei. Eu não entraria em um avião pilotado por um cotista, nem aceitaria ser operado por um médico cotista.

A forma como Bolsonaro agiria em relação a opções dos filhos foi questionada mais de uma vez pelo público. Em uma delas, perguntaram ao deputado o que ele faria se um filho fosse flagrado usando drogas.

- Daria uma porrada nele, pode ter certeza disso - disse o parlamentar, para responder em seguida se "torturaria" o filho pelo uso de entorpecentes: - Se agir com energia é torturar, vai ser torturado.

Antes de dizer que é "uma pessoa excepcional dentro de casa", Bolsonaro disse que detesta Cuba e que, por ele, Dilma Rousseff jamais seria presidente da República:

- Pelo passado dela, de seqüestros e roubos - afirmou, referindo-se à época em que a presidente fazia parte de grupos de esquerda que lutavam contra a ditadura.

Bolsonaro também enumerou os motivos pelos quais sente saudades do regime militar no Brasil:

- Do respeito, da família, da segurança e da ordem pública e das autoridades que exerciam autoridade sem enriquecer.

domingo, 27 de março de 2011

O ano em que a constituição do Brasil foi rasgada
















Pessoal, 1964 foi o ano em que os militares,  aqueles quem mais deveriam  zelar pela preservação e cumprimento da constituição de então, rasgaram-na, limpando seu rabos com ela.

1964 e o filho de Jango
Enviado por Luis Nassif, dom, 27/03/2011 - 09:17

Por João Vicente Goulart

Jango: o Golpe e a saudades do que ficou para trás.
(publicada em 26 de março de 2011)

"Sempre que se aproxima mais um 1° de abril, ano a ano vamos nos distanciando daquele 1964 e aproximando-nos de 2014, onde teremos nós brasileiros de fazer uma profunda reflexão histórica da lembrança dos 50 anos após, e ainda sentirmos o reflexo maligno produzido pelo Golpe de Estado, dado não contra Jango, mas contra a Constituição brasileira, contra o povo e contra as "Reformas de Base" que transformariam a economia de nosso país produzindo tal vez o maior avanço social que este país necessitava.

Como mudam os aspectos e as lembranças?

È só voltarmos um pouco na história e relembrar naquele ano a posse tumultuada do então Vice-Presidente por estar abrindo, em viagem oficial em agosto de 1961 o mercado da China para o Brasil; quase impedido constitucionalmente de assumir a presidência por estar no país comunista-Maoísta e ser recebido pelo próprio Mao quando da renúncia, ainda hoje não bem explicada, do Presidente Jânio Quadros.

Era uma ofensa aos bons costumes das elites aristocráticas do país, um vice-presidente brasileiro estar na China comunista, onde dizia a direita "comiam criancinhas" por lá, e poder assumir o cargo constitucional de Presidente da República, mesmo eleito para isto como determinava a nossa Constituição.

Nixon, o presidente americano, dez anos depois da viagem de Jango, teve que botar a cartola embaixo do braço e visitar a China, pois não podia mais ignorar o mercado consumidor e a potencialidade econômica daquele país, tendo que engolir a exigência de reconhecer Taiwan como província rebelde e estabelecer o comercio bilateral China-EUA.

Que visão teria Jango naquele momento?

A de construir para o Brasil uma alternativa comercial de independência econômica do eixo americano e dar potencialidade a economia nacional com outros parceiros no desenvolvimento de relações globais.

Tudo isto foi ignorado quando construiu-se um argumento para não lhe darem posse: se tinha estado por lá, era por que era comunista.

Hoje o Mundo mudou.

Hoje o maior credor dos títulos públicos americanos é o Governo da China.

Hoje o maior parceiro comercial do Brasil é a China, superando inclusive o comercio bilateral BRASIL-EUA.

Não bastassem essas acusações levianas e de cunho político, sabiam as elites que Jango era um árduo defensor dos trabalhadores e assim o tinha demonstrado quando em 1953, apesar de ter que deixar o Ministério do Trabalho de Vargas, legou patente os 100% de aumento no salário mínimo, conquista até hoje refletida no atual salário mínimo nacional, pois ainda traz embutida aquela correção.

Após muita discussão a respeito da posse e depois do memorável Movimento da Legalidade produzido e conduzido pelo então governador Leonel de Moura Brizola no Rio Grande do Sul, Jango consegue assumir através da emenda adicional N° 4, tirada dos porões do Congresso Nacional o regime parlamentarista, em uma manobra casuística, para tirar poderes constitucionais das mãos do Presidente Jango que sem dúvidas assumiria o comando da Nação levando consigo o seu compromisso com a classe trabalhadora do país.

Jango não traiu seus compromissos.

Depois de algum tempo de parlamentarismo parte para o plebiscito nacional pedindo a volta do presidencialismo.

Era início de 1963 quando o povo brasileiro em memorável consulta devolve a Jango os poderes presidencialistas com mais de 83% favoráveis ao SIM.

O Presidente João Goulart parte então para a transformação da sociedade brasileira através da proposta das "Reformas de Base".

Constituem-se elas na Reforma Agrária, na Reforma Educacional, na Reforma Urbana, na Reforma Bancaria, no controle da Remessa de Lucros das empresas estrangeiras para suas matrizes, e na desapropriação das refinarias de petróleo passando o controle da exploração e refino para as mãos da PETROBRAS, fundada pelo governo Vargas da qual Jango era herdeiro político.

"Mais uma vez" como pregava a Carta Testamento às forças da reação tornaram-se contra os interesses populares e começava então a conspiração para a derrubada do governo constitucional do Presidente Jango.

A união das forças civis e militares conservadoras de nosso país unem-se com os interesses multinacionais e exploradores do povo brasileiro e Latino-americano programando em 1964 o Golpe de Estado, financiado pela CIA e o Governo americano que posteriormente alastrou-se como dominó por todos os países democráticos da América do Sul servindo os interesses dos capitais internacionais.

Acusado mais uma vez de comunista, Jango caiu.

Mas caiu de pé, pois hoje, quase cinqüenta anos depois, vemos os exemplos comerciais que Jango queria instalados independentemente de colorações ideológicas.

Lamentavelmente ainda pairam sobre nós os interesses das elites, não nos permitndo ainda a distribuição de renda pretendida por Jango para a nossa população menos favorecida e nem tampouco permitindo o acesso ao crédito controlado pelo excessivo abuso dos banqueiros, de lucros escorchantes, encima de taxas SELIC de mais de 10% anuais sobre uma dívida interna superior ao trilhão de reais, que o Governo do Brasil tem de pagar religiosamente, suprimindo assim a sua capacidade de investir no desenvolvimento social da Nação.

Relembrar todos os 1° de abris a queda de Jango é relembrar de um patriota que morreu no exílio lutando por um país mais justo, mais solidário, mais digno para com seus cidadãos mais humildes, mais equitativo e com mais oportunidades para os mais desamparados, mais nosso, mais soberano e principalmente mais livre.

A saudade existe, quando existe a vontade de relembrar os valores perdidos, os valores a serem lembrados e reconquistados, os valores dignos dos homens que ficaram pelo caminho lutando por uma sociedade mais justa, com atitudes certas no momento histórico oportuno.

Estes valores sim são dignos de serem lembrados.

Lembro-me no exílio quando jornalistas americanos da revista "Time" perguntaram a Jango: - "O Sr. Presidente não acha que não era ainda a hora das reformas?"

Ao que Jango respondeu: "Se achasse os Srs. tenham certeza não me encontrariam aqui no exílio". Só sentindo estas saudades do que ainda temos a fazer é que devemos lembrar todos os primeiros de abris, para que nunca mais existam, para que nunca mais aconteçam."

sábado, 19 de março de 2011

O Diabo impressiona lusitano!






















Gente amiga, o poeta e escritor lusitano Silvério da Costa honrou meu segundo livro com uma resenha. Confiram e, se não concordarem com ele, se pronunciem:

"O Cruzeiro de Nozinho"
por Silvério da Costa para Coluna Fronte Cultural do Jornal Sul Brasil de 10 de Fevereiro de 2011

"Quando comecei a ler o livro “Onde o Diabo Perdeu as Botas”, de Hélio Jorge Cordeiro, agora vivendo em Chapecó, logo me veio à cabeça o livro “Os Cus de Judas”, do português Antonio Lobo Antunes, título alusivo a algum lugar que fica no fim do mundo, como se costuma dizer, no caso “Vila Luso”, no Leste de Angola, para onde ele foi mandado, durante a “guerra de Angola”, como médico que é, e por onde eu, infelizmente, também andei, antes dele, a serviço de uma guerra fratricida e inglória.

Mas...voltando ao livro de Hélio, a história é passada numa pequena povoação chamada Cruzeiro da Bahia, que fica em Minas Gerais. A trama gira em torno da rivalidade entre duas facções políticas, tendo como fio condutor um cruzeiro constituído, outrora, por Nozinho Albuquerque, avô do narrador, que atende pelo cognome de Lindinho. Nozinho era um descrente que recebeu de seu pai, a título de remissão dos pecados, tal incumbência. O cruzeiro, que virou símbolo da localidade, deveria ser preservado pelas futuras gerações, mas foi, posteriormente, por obra de graça do diabo, encarnado num engenheiro cheio de malícias e promessas, derrubado. Tal profanação deixou marcas estranhas nos corpos daqueles que, ambiciosos e demagogos, faziam parte das facções políticas, como, por exemplo: pelos nos meios dos seios de uma mulher; pés de trás para frente, num homem; bigode, numa outra mulher; escamas nas mãos de outra; e assim, sucessivamente. Males esses que acabaram por desaparecer, quando a farsa foi descoberta e desmascarada, e o cruzeiro reconstruído.

De permeio, é claro, não poderiam faltar as intrigas, os escândalos, os amores frustrados, as traições, as vinganças, enfim, as loucuras de toda sorte, sempre que a vida pessoal se imbricava com a política e a religião. Em resumo, a história fala da rotina diária de uma pequena cidade e narrada por Lindinho, que mora em São Paulo, e resolveu tirar umas férias para visitar “Cruzeiro da Bahia”, onde nascera e de onde se ausentara há 35 anos. É uma história de ficção, maniqueísta e digressiva, que rememora o passado, num discurso misto (direto e indireto), e percorre a vida de certas famílias e suas tumultuadas relações. É uma história repleta de pequenas histórias quase macabras, à moda Edgar Allan Poe, cujos ingredientes, usados e ousados, caracterizam a marca heliana de narrar. Vale dizer, ainda, que os personagens são muito bem retratados: divertem e fazem refletir, ao mesmo tempo.

O Hélio capta as imagens rotineiras daquela comunidade, transpondo-as para o papel, através de Lindinho, com grande sabedoria, porque é um autor que se preocupa com a urdidura do texto. Enfim, trata-se de um livro altamente meritório, já que é portador de uma narrativa de inegável qualidade.

Segundo o espanhol Carlos Ruiz Zafós, ler um romance é como passar férias no cérebro do autor. E foi o que eu fiz, uma vez que não sai de Chapecó, neste final de ano. Parabéns!"

segunda-feira, 14 de março de 2011

Dia da Poesia























Pessoal, hoje, dia da poesia, resolvi postar esta pérola do grande poeta Manoel de Barros:


"A Arte de Infantilizar Formigas"

"Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra
- meu avô começou a dar germínios
Queria ter filhos com uma árvore.
Sonhava de pegar um casal de lobisomem para ir
vender na cidade.
Meu avô ampliava a solidão.
No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do
quintal : Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra
dentro.
Um lagarto atravessou meu olho e entrou para o mato.
Se diz que o lagarto entrou nas folhas, que folhou.
Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia.
Ela deu ser ao dia,
e Ele envelheceu como um homem envelhece.
Talvez fosse a maneira
Que a mãe encontrou para aumentar
as pessoas daquele lugar
que era lacuna de gente."

(O poema ´A arte de infantilizar formigas´ consta no Livro sobre nada, obra editada em 1996, que rendeu a Manoel de Barros o Prêmio Nestlé de Literatura pelo alto grau do jogo de palavras instaurado para criar uma realidade própria - Fonte -http://www.revista.agulha.nom.br/manu.html )