segunda-feira, 1 de março de 2010

Movimento em prol dos escritores desconhecidos.




















Movimento em prol dos escritores brasileiros desconhecidos

Sex, 06 de Fevereiro de 2009 21:17 Autor: Laura Bacellar


"Desde que eu lancei o livro e o site Escreva seu livro, lá em 2001, venho recebendo uma tonelada de mensagens de autores iniciantes e profissionais, que passam por bons ou maus bocados com editoras, que procuram publicar suas obras ou estão tentando divulgá-las.

De todos os escritores que conseguiram ser publicados ou que arriscaram imprimir sua própria obra, vem o mesmo coro: As livrarias não abrem espaço para nós! Como é difícil vender livros! Os jornais nos ignoram! Ninguém fala do meu livro!

E tudo isso é verdade.

Se encontrar uma editora para publicar um autor brasileiro desconhecido é difícil (mas não impossível, já fui convidada para dezenas de lançamentos de autores iniciantes), fazer com que esse livro venda e o autor se torne conhecido são tarefas de Hércules.
Livrarias, mídia, eventos, nada parece colaborar.


Apesar de concordar em que essas dificuldades existem, não noto nos autores nenhuma atitude para tentar resolvê-las, exceto eventualmente gastar rios de dinheiro com esquemas de comercialização do livro mirabolantes (que vou comentar em outro artigo) e depois reclamar que só deram prejuízo.

Sinto que reina entre todos – escritores, prestadores de serviço, livreiros, editores – uma mentalidade de curto prazo que assassina as chances de livros novos, diferentes, de autores desconhecidos fazerem sucesso. Todo mundo parece cair no caminho já traçado e resolvido como bom quando se trata de leituras.

Não vou comentar aqui o problema que essa atitude gera para o mercado de livros quando vem de livreiros e editores, porque seria uma discussão longa e técnica e sobre a qual você não poderia fazer nada se não é um profissional da área.

Mas gostaria de pedir a escritores e candidatos a autores que considerem o poder que têm como leitores e o utilizem em benefício de um mercado mais democrático.

Convido a uma mudança generalizada de atitude para que você e todos os autores brasileiros ainda desconhecidos por aí tenham a chance de um lugar ao sol.


Movimento em prol dos escritores brasileiros desconhecidos.
Leia escritores brasileiros desconhecidos.

Os escritores que conheço querem ser lidos, mas quando pergunto o que leem, costumam sair-se com Kafka, Dostoiévski, Clarice Lispector, Guimarães Rosa. Ou Drummond, Manuel Bandeira, Ezra Pound. Ou outro lote de escritores e poetas igualmente famosos e aclamados.

Aí eu pergunto: e os brasileiros desconhecidos? E os que estão se arriscando agora, que espelham o mundo em que vivemos? E os que querem criar uma nova cultura, abrir novas sendas aqui onde estamos? Esses você não lê?

E como você quer ser lido se não lê? ~

Abandone os clássicos por um tempo, adote uma postura de risco cultural e leia quem você nunca ouviu ser mencionado. Escolha um/a escritor/a pelo assunto da obra, pela capa, pelo som do sobrenome e embarque numa aventura de exploração. Deixe para lá esse esnobismo chato de só mencionar autores de sucesso e pontue suas conversas com desconhecidos peculiares, esquisitos, diferentes.

Se você fizer isso sempre, aumentará muito as chances de que façam o mesmo com suas obras.

Comente escritores brasileiros desconhecidos .

Recebo montes de pedidos de gente implorando, exigindo, pedinchando que eu leia suas obras e diga o que acho. Mas por que pedir a mim, que posso nem ser o público-alvo da obra? Por que esses escritores não obtêm retorno dos leitores dos tantos sites de literatura onde postam tantos milhares de textos? Ou onde colocam suas obras a venda?

Porque a maioria dos escritores não se dá ao trabalho de ler os colegas com atenção.
Já pensou como seria bom uma comunidade de escritores em que todos dessem pareceres sobre as obras dos colegas? Em que opiniões pensadas, refletidas, indicativas de uma leitura atenta se acumulassem nos comentários sobre as postagens? Quem precisaria contratar pareceristas com um apoio desses?

Faça a sua parte. Comente as postagens que achar mais promissoras. Diga o que acha de forma honesta, cuidadosa, não um reles “gostei!!!”. Mande emails ou cartas para os autores dos livros que ler, faça uma crítica no seu blog. Ajude os escritores iniciantes e você estará fazendo a sua parte para criar uma cultura de leitura que vai alguma hora chegar de volta a você.

Compre livros de escritores brasileiros desconhecidos nas livrarias.

Essa sugestão parece óbvia, mas de novo o mais comum é que mesmo autores iniciantes, que sabem como é difícil expor uma obra de uma editora pequena numa livraria, comprem só o que está exibido nas vitrines ou empilhado nas mesas na entrada. Você tem ideia de quanto as grandes livrarias cobram por esta exposição privilegiada? Ali só ficam as obras de giro rápido, de apelo óbvio. Já dei muita consultoria para autores que querem ser publicados, mas só compram obras bestsellers da lista de mais vendidos do New York Times, achando que assim estão entrando em contato com o mercado.

Hahaha, estão entrando em contato com o mercado de fabricação de bestsellers americanos. O que isso tem a ver com escritores brasileiros iniciantes?

Faça a seus colegas autores e a você mesmo/a um favor e vá fuçar naquelas estantes lá no fundo da loja. Procure títulos interessantes que estão de pé nas estantes, só de lombada para você. Compre o que não é badalado, não é famoso, mas tem algo de intrigante.
Assim você contribui para quebrar essa cultura massificante de as livrarias e editoras acharem que só vale a pena investir nos autores já conhecidos e bons vendedores, nas obras que já vem com milhares de exemplares vendidos lá fora. Você percebe que, se entrar no jogo do fácil como leitor, vai ter poucas chances como escritor?

Procure livros de escritores brasileiros desconhecidos na internet.

As livrarias estão se tornando lugares cada vez mais difíceis para se colocar livros, com exigências caras e trabalhosas às editoras. São o funil da comercialização dos livros, aproveitando sua posição privilegiada para recusar as obras que acham de giro lento ou autores pouco representativos.

Se você quer furar esse cerco que cada vez mais alimenta os conhecidos e exclui os desconhecidos, faça a sua parte e pesquise livros pela internet. Arrisque comprar uma obra que só é vendida pelo correio, que só tem espaço de exposição em algum site pouco visitado. Pode acontecer de você perder vinte ou trinta reais, de a obra ser um completo lixo, mas também pode acontecer de você adquirir uma raridade, de topar com um pensamento fora dos trilhos e inovador como não imaginava.

Vá contra a corrente que trabalha para tirar o seu espaço como escritor desconhecido e favoreça os outros escritores desconhecidos que estão por aí se aventurando a publicar em editoras pequenas ou por conta própria.

Depois volte lá no site onde comprou o livro e coloque seu comentário sobre a obra, seja positivo ou negativo. Ajude a guiar outros leitores para perto (ou para longe) daquela obra.

Recomende livros de escritores brasileiros desconhecidos.

Vejo os espaços de comentários nos sites das livrarias, nos blogs, abaixo dos textos literários postados quase sempre vazios ou com frases curtas e inúteis. Quando alguém me fala de um livro, em geral diz só “adorei” ou então “péssimo, nem consegui acabar de ler”.

Caramba, você não quer que recomendem a sua obra? Os jornais e as revistas quase nunca comentam obras de escritores iniciantes, a chance de você ser resenhado na mídia formal é bem pequena. Então faça a sua parte e recomende pessoalmente as obras dos outros.

Seja honesta/o, nada de elogios rasgados se você não gostou. Mas fale do que gostou em detalhes, recomende obras aos amigos citando direitinho o título, o autor, onde comprar, qual a razão para alguém ler aquela obra, para que público você acha que ela seria legal.
O boca-a-boca (ou email a email) ainda é uma das forças mais poderosas para levar um livro ao sucesso. De repente, você estará fazendo a sua parte para criar um bestseller nas condições mais improváveis, fora do circuitão, e assim abrir os olhos dos editores e livreiros para os bons brasileiros ainda não famosos (como você).

Dê de presente livros de escritores brasileiros desconhecidos.

Você pode copiar essas sugestões e enviá-las aos amigos por email para ajudar a mudar a cultura preguiçosa e acomodada de as pessoas de só lerem e comprarem o que todo mundo lê e compra. Mas você pode também dar de presente livros que considera bacanas, de autores que seus amigos nunca ouviram falar.

Esse é um jeito simpático de não só impulsionar as vendas dos escritores desconhecidos que você descobriu e achou legais, como fazer com que os amigos prestem um pouco mais de atenção ao que existe de variado e brasileiro na nossa produção literária.
Se você achar essas ideias boas, pratique-as.

Que tal assim criarmos juntos uma cultura mais atenta aos escritores brasileiros desconhecidos?"

16 comentários:

mauro camargo disse...

fantástico. Excelente texto. Hélio, excelente postagem. To colocando no meu blog uma indicação para lerem... e vou espalhar a idéia de virem ler a postagem, quem sabe alguns venha a nos ler...

Arthur Golgo Lucas disse...

Divulgando também: http://arthur.bio.br/2010/03/02/mundo-virtual/movimento-em-prol-dos-escritores-brasileiros-desconhecidos

felipedamo disse...

pronto, El-liño, voltei a ativa...hehe

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Blz, Mauro e Arthur. Valeu!

Damo, seja bem vindo ao mundo dos valentes e fortes! rss

Romacof disse...

Hélio! você está linkado e espalhado.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Romacof, valeu, cara! Linkei O Cágado Xadrez aqui no meu moquifo virtual!

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Arthur, linkei aqui o seu Pensar não Dói.

Valeu, cara!

disse...

Nossa, adorei esse texto!
Até vou linkar lá no meu blog.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

De fato, Rê, espero que mais pessoas divulguem.

abraços
Hélio

Deborah O'Lins de Barros disse...

adorei a postagem. concordo em gênero, número e grau. o mercado do livro tem o mesmo problema da cultura machista: quem ensinava que menino brincava com bola e menina com boneca? a mãe. e depois a própria mulher se via vítima desse machismo que ela mesma cultivou ao longo das décadas.

assim funciona o mercado da literatura: as escolas exigem Machado de Assis, José de Alencar e etc. Os escritores arrotam desse caviar, sendo influenciados por Nelson Rodrigues e cia. limitada. e como fica? é bem por aí.

Helinho, vou publicar esse artigo no meu blog, posso? super abraço e obrigada por divulgar essa reflexão importante.

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Quem bom que vc concorda, Deborah.

Claro que vc pode publicar.

Deborah O'Lins de Barros disse...

está publicado :-)
abraçosssssss
carpe diem e bom fim de semana

Deborah

cronicasurbanas disse...

Cheguei aqui pela indicação do Camargo, fantástico, excelente o texto dela. Aproveitei e deixei a indicação lá no meu blog.
Parabéns!
Mônica

Sandra Santos disse...

Adorei. Vou copiar, colar e divulgar no meu blog. Desde que lancei meu livro em dezembro de 2008 venho trocando livros com outros autores. Caso alguém tenha interesse de trocar sua obra pela minha (com divulgacao/avaliacao mútua), fico à disposicao. Meu livro "Mineirinha n'Alemanha" fala da vida, trabalho na Alemanha, contando da cultura e suas tradicoes. É legal para quem pensa em viver no exterior, ou quer simplesmente saber mais em detalhes como é viver no exterior.
Um abraco,
Sandra
www.mineirinhanalemanha.de

Hélio Jorge Cordeiro disse...

Valeu, Sandra, pela visita e peloi link do texto da Laura Bacellar! Já visitei Mineirinhanalemanha e deixei um comentário!
abraços e volte sempre
Hélio

Anônimo disse...

Gostei....vou por no meu Blog uma lista de " ESCRITORES NOVOS".


Vou linkar este Blog.....


Eu leio 1 ou 2 livros por semana,quando tenho tempo leio mais.